Sob o Signo da Lua

De dois em dois anos, no calor do Verão, rumam à raia milhares de pessoas de todos os países e culturas. Juntam-se no Boom Festival, com uma sensualidade psicodélica ao som da música trance

Valter Vinagre

Valter Vinagre acompanhou esses encontros mágicos, retratando o lugar e os seus habitantes, as suas construções, desejos e sonhos. Este livro fixa a convulsão desses momentos numa ordem possível, propondo a redescoberta dos olhares e dos corpos num outro espaço e tempo. Os textos de António Guerreiro e Joaquim Moreno decodificam as imagens e a organização hermética do livro, oferecendo a quem os lê alguns fios para se perderem e encontrarem nos labirintos da imaginação.

O livro de Valter Vinagre, Sob o Signo da Lua, tem despertado a atenção da crítica e dos leitores. O texto Sobre os corpos e a paisagem, o erotismo da vida de José Marmeleira dá sinal desse interesse e recolhe frases do fotógrafo que explicam o contexto e as expectativas com que levou a cabo trabalho que a Dafne Editora publicou. O livro, além das imagens, conta com dois textos que exploram os sentidos desse olhar, da autoria de Joaquim Moreno e António Guerreiro.

Valter Vinagre (Avelãs de Caminho, 1954) iniciou o seu percurso como fotógrafo em finais dos anos 1980. Dos seus  trabalhos salientam-se: Cá na terra (1998), Animais de estimação (2010), Barra das Almas (2013), Posto de trabalho (2015) ou A voz na cabeça (2016). De início conotado com uma fotografia próxima do registro documental, o seu trabalho passou a interiorizar um exercício mais reflexivo sobre a imagem, criando discursos sobre os significados associados à paisagem, à viagem e ao lugar da cidade.

Ficha
Sob o Signo da Lua
Valter Vinagre
Dimensões: 240p., 17,5×24,5
Edição: Dafne Editora
Data: Julho de 2018
DL: 441937/18
ISBN: 978-989-8217-43-1
Design: João Faria / Drop
Preço: Trinta euros / Comprar

Contato:
Dafne Editora
Livros de arquitectura
+351 22 200 55 79
dafne@dafne.pt
http://dafne.pt

 



 

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Vale tudo menos tirar olhos

Associação Ether / vale tudo menos tirar olhos marcou a cultura fotográfica em Portugal nas décadas de 1980 e 1990

O livro, um requintado volume com mais de trezentas páginas, conta a história da associação cultural Ether/vale tudo menos tirar olhos, cuja actividade ficou indelevelmente associada à galeria de exposições de fotografia que funcionou em Lisboa entre 1982 e 1994. A Ether foi um espaço fulcral na consolidação da fotografia portuguesa, abrindo espaço a novas gerações de fotógrafos, assim como construindo a história da fotografia em Portugal que ainda estava por inventar. Continuar lendo

Registro de uma vivência de Lucio Costa

Registro de uma vivência é o testemunho da figura-chave da arquitetura moderna brasileira

Lucio Costa

Com seleção do próprio autor, reúne textos, depoimentos, cartas, desenhos, croquis, projetos e fotografias que cobrem toda a trajetória de Lucio Costa.

Lucio Costa atuou decisivamente na grande revolução cultural que tem início com a Semana de Arte Moderna de 1922, fazendo a ponte entre Le Corbusier, Walter Gropius, Frank Lloyd Wright e Mies van der Rohe, pioneiros que conheceu pessoalmente, e brasileiros em começo de carreira que se agregaram à sua volta como Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Moreira e Ernani Vasconcellos.

O resultado foi uma arquitetura original, que surpreendeu o mundo e garantiu um lugar de destaque na história da disciplina. Em paralelo, Lucio cultivou discretamente um caminho próprio, afim com o projeto modernista, imaginando um elo poético entre nosso passado colonial e a modernidade, fazendo conviver pilotis e cobogós, nosso jeito de morar e preceitos urbanísticos para a sociedade de massas. Continuar lendo

Antonio Candido 100 anos

Coletânea homenageia mestre da crítica literária, com textos de intelectuais brasileiros e estrangeiros

Antonio Candido

Este livro é uma homenagem a um dos maiores intelectuais brasileiros. Crítico literário, sociólogo e militante socialista, Antonio Candido de Mello e Souza (1918-2017) atravessou o século XX e adentrou pelo XXI inspirando sucessivas gerações. Em seus livros, aulas, conferências e atividades políticas, ele revelou o Brasil aos brasileiros, sem ufanismos nem complexos de inferioridade.

Formação da literatura brasileira (1959) e Os parceiros do Rio Bonito (1964), seu estudo sobre o modo de vida caipira, se tornaram clássicos de nascença. “Dialética da malandragem” (1970), ensaio sobre Memórias de um sargento de milícias, é considerado um marco na análise das relações entre forma literária e processo social. Com a mesma inteligência — não só excepcional, mas incansável — ele escreveu mais de vinte livros, sempre reeditados. Continuar lendo

Memórias da ditadura Argentina

Livro da EdUFSCar aborda regime argentino: Sangue, identidade e verdade: memórias sobre o passado ditatorial na Argentina

Para trazer luz a um passado não tão distante na América Latina, pessoas que tiveram parentes desaparecidos na ditadura da Argentina (1976-1983) se organizaram em coletivos e assumiram a responsabilidade de esclarecer parte dessa história. Elas são o mote do livro “Sangue, Identidade e Verdade – Memórias sobre o passado ditatorial da Argentina”, de autoria de Liliana Sanjurjo e que está sendo lançado pela Editora da Universidade Federal de São Carlos (EdUFSCar).

A obra é fruto de uma pesquisa de doutoramento realizada junto ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Trata-se da versão revisada da tese que analisou o ativismo político dos familiares de desaparecidos da ditadura militar argentina, movimento integrado pelas organizações Asociación Madres de Plaza de Mayo, Madres de Plaza de Mayo-Línea Fundadora, Abuelas de Plaza de Mayo, Familiares de Desaparecidos y Detenidos por Razones Políticas e H.I.J.O.S. (Hijos e Hijas por la Identidad y la Justicia contra el Olvido y el Silencio).

O objetivo do livro foi formular alguns entendimentos sobre os processos sociais que levam esses coletivos – que constituem o movimento de direitos humanos na Argentina – a assumirem o lugar de protagonistas na construção das memórias sobre o passado ditatorial, bem como analisar os cenários de disputas que envolvem a consolidação de uma memória pública da ditadura.

“Ao longo do livro examino como os domínios da política e do parentesco – cujas representações, neste caso, estão particularmente pautadas na biologia/sangue/genética -, se constituem e se articulam no ativismo desses familiares por memória, verdade e justiça e nos processos de construção das memórias sobre a ditadura.

Ou seja, ao lançar luz sobre as relações entre parentesco, política e memória, busco compreender como os familiares de desaparecidos, ancorados nos vínculos de parentesco com as vítimas da repressão, atribuem sentido às suas próprias experiências e identidades, ao passo que encontram legitimidade social para suas demandas e ações políticas”, explica a autora.

Filha de um argentino que migrou ao Brasil em 1976, meses após o golpe militar, Sanjurjo iniciou a pesquisa em 2007, quando foi à Buenos Aires para realizar os primeiros contatos com ativistas do movimento de familiares de desaparecidos e um mapeamento do campo e das questões iniciais da investigação. Depois, retornou em outras duas ocasiões para um período mais extenso de trabalho, entre os anos de 2009 e 2011.

O livro está organizado a partir de algumas questões que buscam revelar as formas de mobilização e ativismo dos familiares e que permitiram delinear o entendimento da relação entre parentesco, política e memória como um dos eixos centrais da análise.

“Por outra parte, ao me deter sobre os cenários de disputa em torno das memórias da ditadura, passei a formular questões acerca do papel que desempenhariam o campo jurídico e científico nos processos de legitimização das vozes dos familiares e de afirmação de uma ‘verdade’ sobre o passado de repressão.

Para tanto, o próprio processo de produção de evidências materiais sobre a repressão – informes, corpos e ossadas, DNA, edificações, documentos, sentenças judiciais – tornou-se outro dos eixos de análise do trabalho a fim de ampliar o meu entendimento sobre aquilo que daria ancoragem às narrativas e memórias das vítimas sobre a ditadura”, descreve ela.

Ficha:
Ano de publicação: 2018
Autora: Liliana Sanjurjo
Edição: Primeira
ISBN: 978-85-7600-502-5
Páginas: 357
Peso: 0,56 Kg
16,00×23,00×2,00cm
R$ 48,00 / Comprar

Contato:
Editora da Universidade Federal de São Carlos
(16) 3351-8927
http://www.edufscar.com.br

 



 

Situando Jane Jacobs

Livro modificou as regras do jogo das cidades em todo o mundo / Por Renato Cymbalista

Jane Jacobs

Se tivéssemos que eleger um único livro que representasse a historia recente do urbanismo no Ocidente, possivelmente a escolha recairia sobre Morte e Vida de Grandes Cidades, publicado em 1961.

Jane Jacobs não foi a única nem a primeira voz crítica ao urbanismo modernista arrasa-quarteirão que prevaleceu nas décadas de 1940 e 1950, mas o seu livro atingiu em cheio a opinião pública e apoiou a construção de um senso comum crítico dos grandes projetos de renovação urbana e valorizador dos tecidos urbanos historicamente constituídos. Continuar lendo