Água funda de Ruth Guimarães

Romance de estreia de Ruth Guimarães (1920-2014), uma das primeiras escritoras negras a ganhar destaque na cena literária brasileira, Água funda foi lançado em 1946 — mesmo ano de Sagarana, de Guimarães Rosa

Mas enquanto o escritor mineiro se valia da plasticidade da fala sertaneja para inventar um léxico novo, entre o popular e o erudito, Ruth fez aqui uma original reconstituição etnográfica da linguagem caipira — que conheceu pessoalmente em sua infância passada no Vale do Paraíba e Sul de Minas —, aproximando-a das pesquisas de Mário de Andrade.

Entrelaçando diferentes tempos e personagens, inseridos no universo de uma comunidade rural na Serra da Mantiqueira, a autora construiu uma prosa ágil e fluida, permeada de ditos populares e causos marcados pela superstição e pelo fatalismo, que antecipa em certos aspectos o realismo mágico de Juan Rulfo e Gabriel García Márquez.
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Almas mortas de Nikolai Gógol

Almas mortas, publicado pela primeira vez em 1842, é o livro precursor do romance clássico russo e a grande obra-prima de Nikolai Gógol (1809-1852)

Almas mortas

A narrativa traz a história de um especulador de São Petersburgo que chega a uma cidade de província e procura conquistar, com suas boas maneiras, a simpatia da sociedade e dos senhores de terras locais. Seu objetivo: comprar “almas mortas”, ou seja, servos já falecidos, mas que ainda não haviam sido declarados como tal no último censo. É em torno desse tema — que lhe teria sido sugerido por Púchkin — que Gógol tece um dos retratos mais certeiros, a um só tempo satírico e afetuoso, do povo russo. Destaca-se na obra a voz do narrador, alter ego do autor, que imediatamente nos cativa pela imaginação e irreverência de suas descrições e observaçõ es. Mesmo que pareçam escapar ao fio da meada e ao bom senso, elas acabam compondo um quadro extremamente perspicaz de um país que ainda buscava sua identidade e os caminhos para se modernizar.
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Fernando Pessoa, o cavaleiro de nada

Em seu primeiro romance, Elisa Lucinda mistura sua voz à de Fernando Pessoa

Elisa Lucinda

Tece uma narrativa que une escritos do poeta às suas palavras de leitora e, assim, recriar a biografia daquele que registrou seus pensamentos, desassossegos, amores, humores e opiniões em versos, diários, cartas, ensaios e fragmentos.

Da leitura das palavras de Pessoa, Lucinda extraiu os principais eventos de sua vida, desde a criação de seu primeiro poema até seu último suspiro, passando por suas relações familiares, sua visão de Portugal, suas viagens na África, seu movimento como poeta da vanguarda portuguesa e o surgimento seus principais heterônimos – entre eles Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Bernardo Soares e o primeiro de todos, o Cavaleiro de Nada.
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