Água funda de Ruth Guimarães

Romance de estreia de Ruth Guimarães (1920-2014), uma das primeiras escritoras negras a ganhar destaque na cena literária brasileira, Água funda foi lançado em 1946 — mesmo ano de Sagarana, de Guimarães Rosa

Mas enquanto o escritor mineiro se valia da plasticidade da fala sertaneja para inventar um léxico novo, entre o popular e o erudito, Ruth fez aqui uma original reconstituição etnográfica da linguagem caipira — que conheceu pessoalmente em sua infância passada no Vale do Paraíba e Sul de Minas —, aproximando-a das pesquisas de Mário de Andrade.

Entrelaçando diferentes tempos e personagens, inseridos no universo de uma comunidade rural na Serra da Mantiqueira, a autora construiu uma prosa ágil e fluida, permeada de ditos populares e causos marcados pela superstição e pelo fatalismo, que antecipa em certos aspectos o realismo mágico de Juan Rulfo e Gabriel García Márquez.
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A rebeldia do precariado

Trabalho e neoliberalismo no Sul global de Ruy Braga

Ruy Braga

Em seu novo livro, o sociólogo Ruy Braga busca fundamentar etnograficamente a crise da globalização neoliberal iniciada em 2008, a partir da comparação entre três países – Portugal, África do Sul e Brasil. A rebeldia do precariado propõe compreender as resistências populares às políticas de espoliação social que acompanham a difusão do neoliberalismo e da precarização do trabalho na semiperiferia do sistema. Para tanto, recorre ao arcabouço teórico marxista na tentativa de interpretar tanto os avanços da mercantilização do trabalho, da terra e do dinheiro quanto as novas formas de insurgência contra a espoliação protagonizadas pelo precariado urbano.
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O fogo e o relato de Giorgio Agamben

O que está em jogo na literatura? No que consiste o fogo que nossos relatos perderam, mas que aspiram, a todo custo, recuperar?

Giorgio Agamben

O que é a pedra filosofal que os escritores, com a mesma paixão e obstinação dos alquimistas, empenham-se para forjar em suas fornalhas de palavras? E o que é que em todo ato de criação resiste tenazmente à criação, conferindo assim a cada obra sua força e graça? Por que motivo pode-se encontrar na parábola o modelo secreto de toda narrativa?

Nos dez ensaios de O fogo e o relato, Giorgio Agamben condensa as preocupações que estão no cerne de suas investigações filosóficas. Em busca do “elemento passível de ser desenvolvido” e da “zona impessoal de indiferença” entre o autor amado e seu leitor, o filósofo italiano convoca grandes interlocutores – Dante Alighieri, Franz Kafka, Paul Celan, Giorgio Caproni, Giorgio Manganelli, Pier Paolo Pasolini, Cristina Campo, Simone Weil, Aristóteles, Espinosa, Walter Benjamin, Roland Barthes, Heidegger, Hölderlin, Gilles Deleuze, Michel Foucault – e os coloca na ordem do dia, ou no centro do vórtice, para fazer menção a um dos ensaios mais poderosos do volume.
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A história da poesia feminina no Brasil

O primeiro volume da série AS MULHERES POETAS já está pronto.E pode ser acessado e lido se você clicar nesse link

poesia

A apresentação é da premiada escritora, Maria Valeria Rezende, também envolvida e liderando um movimento semelhante: o Mulherio das Letras.

Esse trabalho de pesquisa e garimpo, em diversas regiões do Brasil, durou pouco mais de 6 anos e foi publicado em meu blog rubensjardim.com , nos dois espaços que tenho no facebook (Rubens Jardim e Rubens Jardim poeta), em sites e blogs parceiros (Cult, Vidráguas, Sarau de Mulheres,etc).
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Lina Bo Bardi em 4ª edição

O Instituto Bardi/Casa de Vidro, em parceria com a Romano Guerra Editora, lançou dia 26 de maio, na Casa de Vidro, o livro Lina Bo Bardi 4ª edição, esgotado desde 2010

Lina Bo Bardi

Organizada por Marcelo Ferraz, a primeira edição foi publicada em 1993, um ano após o falecimento da arquiteta. O livro traz um panorama da obra e do pensamento de Lina através de textos, desenhos e fotografias. “A obra de Lina é referência obrigatória para aqueles que veem na arquitetura a possibilidade de lutar por um mundo mais justo e confortável”, diz Marcelo Ferraz, que trabalhou por 15 anos com a arquiteta, compartilhando ideias e desafios.

Para Ferraz, o livro permanece atual e instigante. Mostra Lina por Lina sem modismos, folclore ou mistificação, tornando-se fonte primária de pesquisa e apreciação de sua obra.
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Almas mortas de Nikolai Gógol

Almas mortas, publicado pela primeira vez em 1842, é o livro precursor do romance clássico russo e a grande obra-prima de Nikolai Gógol (1809-1852)

Almas mortas

A narrativa traz a história de um especulador de São Petersburgo que chega a uma cidade de província e procura conquistar, com suas boas maneiras, a simpatia da sociedade e dos senhores de terras locais. Seu objetivo: comprar “almas mortas”, ou seja, servos já falecidos, mas que ainda não haviam sido declarados como tal no último censo. É em torno desse tema — que lhe teria sido sugerido por Púchkin — que Gógol tece um dos retratos mais certeiros, a um só tempo satírico e afetuoso, do povo russo. Destaca-se na obra a voz do narrador, alter ego do autor, que imediatamente nos cativa pela imaginação e irreverência de suas descrições e observaçõ es. Mesmo que pareçam escapar ao fio da meada e ao bom senso, elas acabam compondo um quadro extremamente perspicaz de um país que ainda buscava sua identidade e os caminhos para se modernizar.
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